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A “Vitamina i” – iboprufeno, Voltaren, Brufen…

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A “Vitamina i” – iboprufeno. Voltaren, Brufen ou outras marcas comerciais que todos já conhecem ou ouviram falar, preocupam-me muito mais do que a falta de preparação de alguns para as provas em que se inscrevem.

Cada um sabe de si. Se está bem ou mal preparado logo vê no dia da prova. Já fui muito bem preparado para Ultras que não terminei. Os DNF são sobrevalorizados, ainda mais nas redes sociais, levando os atletas, principalmente nós, amadores, a cometer erros graves inconscientemente.

Mais do que a preparação física ou mental, preocupam-me os que fazem provas à custa da chamada vitamina “i”. Fazer um MIUT “à custa” de uma dezena de ibuprofenos vai-vos fazer muito pior à saúde do que o fazer sem treino adequado.

“Tomar analgésicos enquanto corre distâncias longas duplica seu risco de lesão renal aguda, de acordo com nova pesquisa. Corredores não são estranhos à dor, mas também podemos ficar muito confortáveis medicando-se com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para aliviar parte dessa dor.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford descobriram que os corredores de resistência que tomam o analgésico ibuprofeno enquanto correm dobram o risco de lesão renal aguda.

O estudo

Publicado em 5 de julho no Emergency Medical Journal, pesquisadores de Stanford explicaram que 75 por cento dos ultramaratonistas usam ibuprofeno enquanto treinam e competem sem perceber o stresse que a prática causa aos rins. O líder do estudo, Grant Lipman, MD, um professor associado de medicina de emergência em Stanford e diretor da Stanford Wilderness Medicine, tendo atuado como diretor médico em inúmeras ultramaratonas em todo o mundo explica:

“Correr essas provas tende a doer. Eu vi em primeira mão como é comum para os corredores tomar ibuprofeno antes, durante e depois dessas corridas para aliviar a dor e reduzir o inchaço das articulações.”, disse Lipman, que atuou como director médico nos eventos de Ultramaratona RacingThePlanet, que se realizam em várias partes do mundo, incluindo China, Antártida e Chile.

Os resultados

O estudo duplo cego – (NT: um método de ensaio clínico realizado em seres humanos onde nem o examinado (objecto de estudo) nem o examinador sabem o que está a ser utilizado como variável em um dado momento, comumente usado para validação de práticas experimentais quantitativas em ciência) pedia que 89 corredores tomassem ibuprofeno (real ou placebo) durante um segmento de 80 km de uma ultramaratona de 250 km.

Dos 89 participantes, 39 tiveram lesão renal aguda após a primeira secção de 80km da corrida, tendo tomado uma pastilha de ibuprofeno de 400 mg a cada quatro horas. Houve uma taxa 18 por cento maior de lesão renal entre aqueles que tomaram a droga em comparação com aqueles que não tomaram. “Basicamente, para cada cinco corredores que tomaram ibuprofeno, houve um caso adicional de lesão renal aguda”, afirmou Lipman, acrescentando que o ibuprofeno fez “uma diferença impressionante” para o aumento destas lesões.

O risco para corredores

Os corredores que tomam ibuprofeno antes, durante ou após um longo período correm risco aumentado de lesão renal porque o ibuprofeno diminui o fluxo sanguíneo. Os corredores de resistência estão muitas vezes desidratados durante a corrida, especialmente depois de algumas horas numa ultramaratona, que é quando o uso de AINEs tende a começar.

“Estudos mostram que, para a maioria das pessoas, essa lesão renal aguda geralmente é resolvida dentro de um dia ou dois após a corrida. No entanto, corredores acabaram hospitalizados por insuficiência renal”, disse Lipman no estudo.

Neste ponto, o estudo menciona um triatleta do Boulder Colorado Ironman, de 40 anos, que morreu por insuficiência renal três dias depois de terminar a corrida. Um corredor de resistência que costumava usar o ibuprofeno para regular sua própria dor. Lipman ficou surpreendido com a extensão do impacto negativo da droga.

A solução

Se és um atleta de ultramaratonas ou de resistência de qualquer tipo, considera tomar acetaminofeno (como Tylenol) em vez de ibuprofeno para alívio da dor e adiciona um banho de gelo como uma boa medida. O próprio Lipman adicionou essas duas recomendações à sua rotina de recuperação embora ele ainda aconselhe a moderação no uso do paracetamol.”

Esqueçam os anti-inflamatórios. Esqueçam. Há casos de hemodiálise depois do abuso destes medicamentos para concluir provas longas.

As lesões nos rins são permanentes. Um DNF resolve-se com treino e numa outra oportunidade. Os vossos rins não dão segundas oportunidades. O vosso ego recupera melhor.

P.S. – De uma partilha:
“A tríade para a insuficiência renal aguda:
– desidratação
– rabdomiólise ( destruição muscular com libertação d mediadores inflamatórios)
– iatrogenia ( algo externo e em especial Anti- inflamatórios, cargas elevadas de proteínas, mas não só,…)

Fonte: Rui Pinto – Ultramaratonista

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