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Novo ténis da Nike oferece vantagem “ilegal” ao corredor?

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Screen-Shot-2017-03-12-at-2.15.29-PM-1170x787Lançado recentemente, o novo ténis da Nike, desenvolvido especialmente para o projeto Breaking2, que tem como objectivo buscar a marca de sub 2 horas na maratona, trouxe à tona um importante debate: Qual o limite da tecnologia permitido para auxiliar atletas?

O modelo em questão é o Zoom Vaporfly, que já proporcionou impressionantes resultados em várias provas internacionais. Ele foi utilizado pelo queniano Eliud Kipchoge e pelo norte-americano Galen Rupp na maratona olímpica no Rio de Janeiro, em 2016.

Os atletas foram primeiro e terceiro colocados, respectivamente. O ténis também estava nos pés dos últimos vencedores das maratonas de Berlim, Chicago e Nova York.

A sequência de resultados importantes provoca discussões sobre o avanço da tecnologia e até que ponto as inovações oferecem vantagens consideradas “ilegais” aos competidores em busca de recordes.

Alguns outros desporto já enfrentaram dilemas semelhantes. A natação decidiu banir os famosos supermaiôs utilizados nos jogos olímpicos de Pequim em 2008, justamente por oferecerem menor atrito na água e, consequentemente, maior velocidade, favorecendo a quebra de recordes. Quando as raquetes de tênis deixaram de ser de madeira e passaram a ser de metal, houve a mesma discussão.

O assunto do momento são os ténis de corrida. A IAAF (International Association of Athletics Federations), emitiu um comunicado onde menciona que tem recebido um grande número de questionamentos com relação aos calçados utilizados por atletas de elite, envolvendo várias marcas. Há um comitê técnico responsável por avaliar esse tipo de questionamento.

O fato é que todos os ténis são desenvolvidos para aprimorar a performance dos atletas, mas qual seria o ponto em que as vantagens propiciadas pelos calçados passam a ser consideradas não permitidas? Hoje ninguém tem essa resposta de forma precisa.

Para o Breaking2, a Nike criou o modelo exclusivo Zoom Vaporfly Elite, que a própria marca refere-se como um “carro conceito”. Ele foi customizado individualmente para os atletas do projeto, como se fosse um violino, afinado nos mínimos detalhes para se adequar perfeitamente à característica do músico.

Os três africanos (Eliud Kipchoge, Zersenay Tadese e Lelisa Desisa) farão a tentativa de quebrar a barreira de 2 horas no circuito de Fórmula 1 de Monza, na Itália. A Nike já se pronunciou que a tentativa não atenderá a todos os requisitos necessários para ter o recorde homologado.

O modelo pesa aproximadamente 184 gramas e possui uma entressola alta, que poderia retornar 13% mais energia, se comparada aos solados tradicionais. Alguns corredores disseram que o ténis reduz a fadiga muscular nas pernas.

Mas o principal questionamento está na placa de fibra de carbono curvada, semelhante a uma colher, com o objectivo de provocar um efeito de propulsão e reduzir a quantidade de oxigênio necessária na corrida.

Para Ross Tucker, fisiologista do desporto sul-africano, o efeito é semelhante a correr em constante descida, com 1 a 1,5% de inclinação. “É uma diferença significativa”, reforça Tucker.

pistorious

Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, o atleta paralímpico Oscar Pistorius conquistou o direito de competir nos 400m rasos contra atletas sem deficiência. Bi amputado das pernas, ele utilizava próteses de fibra de carbono para correr, e conquistou resultados expressivos. A IAAF incluiu então uma regra que proíbe o uso de equipamentos similares à molas ou rodas em competições.

Em 2007, o ténis da marca Spira foi banido das competições, com a alegação de que possuía uma tecnologia considerada inadequada. A empresa que fabrica o modelo ainda tenta reverter a decisão.

Apesar desses casos, ainda não está claro o que é ou não permitido. A regra 143, da IAAF, menciona que os calçados “não devem ser fabricados para oferecer ao atleta condições inadequadas, incluindo a incorporação de qualquer tecnologia que traga vantagens indevidas”. Mas o que seria uma vantagem indevida?

A regra ainda inclui que “todos os tipos de calçados de competição devem ser aprovados pela IAAF”. Mas a Nike alega que desconhece qualquer processo formal para aprovação de ténis e que não submete nenhum deles para inspeção periódica.

A marca oficialmente divulgou que atua próximo à IAAF no projeto Breaking2, e que irá compartilhar todas as informações necessárias. “Nós oferecemos aos atletas apenas benefícios permitidos pelas regras”, disse Bret Schoolmeester, executivo da Nike.

Já para Tucker, o calçado “provavelmente deva ser ilegal”, pois oferece um efeito semelhante a uma mola.

O etíope Kenenisa Bekele, atleta da Nike, planeja utilizar o mesmo modelo na Maratona de Londres, em abril. “Ele está permitido a utilizar o calçado na competição, mas, se posteriormente houver a proibição, o eventual recorde mundial será invalidado?”, alerta Yannis Pitsiladis, cientista desportivo inglês.

O assunto é polêmico e não parece ter definição a curto prazo. De qualquer forma, a Nike conseguiu despertar curiosidade com o novo modelo de ténis. Afinal, quem não quer correr com a sensação de estar em leve descida o tempo todo?

Fonte: www.jornalcorrida.com.br – Por José Eduardo

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