Skip to main content

Correr para se perceber

Artigos, Corrida 0 Comment

correr-a4b52bTreinador Miguel Sarkis descreve a importância em observar-se, em detalhes e constantemente, para treinar melhor e obter mais confiança na corrida

Como o estado de “se perceber” não é uma constante na vida das pessoas, sabemos que muitas das actividades diárias são executadas de modo imperceptível, e também realizadas sem o uso de raciocínio direto.

Como podemos começar a discutir o assunto? Bem, comecemos pelos nossos últimos momentos antes de se iniciar nas corridas.

Quando eu comecei a correr 

Era uma manhã de domingo, quando um amigo da família apareceu em casa e nos convidou para um treino de “Teste de Cooper”. Sem pestanejar, lá fomos nós; eu e meus irmãos, rumo a uma estrada mais afastada do local onde morávamos e nos pusemos a correr, sem muito preparo e nem muita orientação (coisa que não havia naquela época).

Dez minutos depois, e meio metro de língua para fora, havíamos percorrido os dois quilômetros da estrada que havíamos nos proposto a correr. Começava ali a nossa jornada para um mundo totalmente diferente do já experimentado até então.

O Início

Nos primeiros seis meses sofri muito, com dores e cansaços, até perceber que precisava dosar intensidade, distribuição e distância.

Como seria minha vida sem a corrida? Difícil imaginar. Porém, a lembrança do que tinha para fazer, além de estudar e passar horas dentro de um laboratório estudava desde botânica até zoologia tudo feito sem muita metodologia, eram simples análises e constatações, muitas vezes, conferências de experimentos de Darwin e demais cientistas antigos.

Se não tivesse iniciado a correr, provavelmente teria adotado os mesmos hábitos, alimentares e sociais, do local onde vivia, além das fortes influências de minha família.

Como toda rotina pode ser mudada, mudei radicalmente e passei a dormir cedo. A alimentação que já era de costume numerosa, passei a adotar uma linha de produtos naturais, que apareciam nos mercados como soluções mágicas do mundo moderno.

Minha percepção de cansaço e de esforço foi mudando, levando-me a pensar um pouco mais em parceria com o meu corpo e mente. A percepção de corpo e mente passou a ser notada. Minhas anotações passaram a ser diárias.

Diferente do meu costume, no laboratório, essas anotações passaram a ser sobre os batimentos cardíacos, com análises diárias em três períodos: manhã, tarde e noite.

Eram os primeiros gráficos de batimentos cardíacos de minha vida, e isso realizado pelo toque na artéria radial, e anotada em folha quadriculada, o que me fornecia um eletrocardiograma feito pelas minhas próprias mãos.

Talvez não tivesse valor científico, mas os dados me davam a certeza de avanço ou de cansaço, além de confidenciarem uma percepção do meu interior.

Meus desenhos, que outrora retratavam mosquitos, cobras, coelhos e demais animais, vivos ou mortos, passaram a dar lugar a meus desenhos prediletos, que passaram a figurar músculos, articulações e análises de movimentos de corridas e exercícios de força.

Percepção

Com minhas corridas se tornando diárias, em equilíbrio com meu aprendizado na faculdade de Educação Física, senti que minha resistência, progressivamente, foi melhorando. E me fazendo avançar num mundo desconhecido e de superação.

E como não havia muitas corridas na época, eu certamente participava das que existiam. Eu e mais ou menos 200 ou 500 pessoas que, para a época, já se tratava de muitos corredores.

Todos nós corríamos meio pela percepção, entre o certo e o errado. Era fácil errar, notados pelos acidentes e incidentes orgânicos. Havia morte, lesões sérias e, até hoje, há pessoas que não conseguiram mais correr.

Talvez a percepção destes, menos “amedrontada”, diferentemente das minhas, e talvez deficiências nas constituições físicas, aliadas a falta de orientação nutricional e de cargas de treinos, tenha conduzido-os a tais infortúnios.

Perceber os efeitos em seu corpo talvez seja a primeira e mais eficiente das funções de treinar alguém nesta vida. Nem os melhores treinos ditados por orientadores no mundo poderão suprir as necessidades de um organismo que não percebe se os efeitos serão benéficos ou maléficos.

Perceber o bem é, sem dúvida, um ponto de partida ótimo para se treinar e se obter maior confiança. Perceber bem, e treinar o treino ideal ou mais próximo do ideal, talvez seja um investimento aprimorado entre dois cidadãos: o Treinador e o Corredor.

Para você prestar a atenção

– Treine o que tem para treinar;

– Questione se este treino lhe faz bem;

– Perceba suas horas de sono: elas são suficientes?

– Perceba o seu estado físico e emocional, antes, durante e após os treinos. Se estiver sofrendo, seus treinos não poderão fazer-lhe bem;

– Perceba sua alimentação, antes, durante a pós os treinos mais longos;

– Perceba sua alimentação, durante o dia; manhã, tarde e noite;

– Perceba seu corpo. Se ele responde com benefícios. Veja se seus pés, os mais forçados com impactos, se respondem bem e se você mantém suas unhas vivas;

– Perceba se há dores pelo esforço: sente dores durante um treino ou prova? Observe seu corpo como um todo, se ele mantém sua forma harmoniosa;

– Perceba suas funções fisiológicas; o organismo de um corredor em equilíbrio, é demonstrado pelas suas funções equilibradas;

– Perceba-se e melhore suas corridas. Bons treinos!

Fonte: www.ativo.com – Por Miguel Sarkis falecom@miguelsarkis.com.br

Related Posts

natacao (3)

Natação. Bater perna com ou sem prancha?

Cansamos de escutar que a natação é um esporte que trabalha todos os músculos do...

adidasbreakfree

Anúncio da Adidas comove o Mundo do Running

Ao longo do tempo, as principais marcas do Mundo do Running já fizeram anúncios históricos...

Running-Shoes-HD-Wallpaper-1

Porque meus pés ficam dormentes?

Alguma vez, enquanto você corre ou depois de se dedicar às passadas, você sente uma...

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*


oito − 1 =

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>