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Compulsão pela corrida

Artigos, Corrida 0 Comment

grupoq“Quando não corro sinto que está faltando alguma coisa!” – “Não consigo ficar um dia sem correr!”. “Meus amigos dizem que sou maluco!”.

Frases desse tipo são, de certa forma, comuns entre corredores especialmente fundistas acostumados com uma quilometragem semanal de 80 a 120 quilômetros caracterizando a compulsão pela corrida.

Não resta dúvida nenhuma que fazer exercício físico, seja ele qual for, é benéfico à saúde. Porém, o excesso pode acarretar diversos problemas tanto físicos como psíquicos.

No caso da corrida, uma actividade altamente motivadora e viciante pela quantidade de endorfinas que libera no corpo, vários estudos vem sendo feito a partir de Baekeland (1970).

Com a Era Cooper dos anos 70 e o surgimento de várias maratonas, muitas pessoas descobriram o prazer e o que significa o grande “prazer da corrida”.

Estudos posteriores tentaram qualificar os limites entre o bom e o mau. Ou seja, a partir de quando a corrida passa a fazer mal para o corpo e ou a cabeça. Glasser (1976) classificou como (Positive Addiction) “dependência positiva” os factores ligados aos benefícios físicos e psicológicos especialmente a alta-estima gerada pela corrida.

Já, Morgan (1979) fez uso do termo Negative Addiction considerando os transtornos psíquicos que afectam a vida de quem corre em excesso.

A dependência da corrida é similar a qualquer outro desvio psíquico ligados a corpo, tais como a anorexia nervosa, a vigorexia e a compulsão pela comida.

Baekeland ao conduzir o seu trabalho, tentando identificar as alterações do sono quando um corredor tenha de suspender as actividades, constatou que alguns se recusaram a participar da pesquisa mesmo sendo-lhes oferecido dinheiro.

Os corredores compulsivos têm algumas características comuns tais como:

1) Se recusam a fazer qualquer outra actividade complementar ou substituir quando estão contundidos.

2) Priorizam a corrida sobre qualquer compromisso cotidiano. Primeiro a corrida!

3) Toleram e suportam mais as dores musculares e por isso mesmo treinam mesmo sem condições.

4) Quando por motivo de força maior são obrigados a parar de correr, mesmo por poucos dias
demonstram irritação, depressão, ansiedade e etc.

5) Experimentam um alívio imediato ao retornar à rotina de treino.

6) Apesar do problema, têm consciência de que são viciados.

7) Querem correr sempre forte não respeitando o repouso passivo ou activo.

8) “Batem de frente” com familiares não adeptos à corrida especialmente aqueles que costumam questionar ou acusá-los de “doido”.

9) Só pensam “naquilo”… na corrida!

10) Alguns fazem até dietas para se manterem magros, sempre achando que qualquer grama extra na balança pode prejudicar a performance.

11) Colocam sempre a culpa no tempo, chuva, muito calor, vento contra e etc. para justificar esporádicas performances ruins. Da mesma forma os percursos com muita ladeira, paralelepípedo, muito buraco na pista e etc.

Essas conclusões foram relatadas num interessante trabalho com maratonistas e publicado na Revista Brasileira de Medicina desportiva Vol. 9, n° 1 – Jan/Fev. 2003, baseado num trabalho de Hailey e Bailey (1982).

Os corredores mais sujeitos a esses problemas e a dependência, têm uma rotina de treino mais de quatro vezes por semana, de uma a duas horas por sessão e correm há mais de quatro anos.

Os resultados não foram diferentes quando comparados homens e mulheres na questão da dependência embora, na prática, estatisticamente elas se machuquem menos e toleram melhor a abstinência.

Elas, segundo Masters Lambert (1989) citado no estudo, sofrem uma pressão social muito maior de reprovação, ainda resultado da sociedade machista que vivemos.

Não pense que esse artigo tenha a intenção de desestimular a corrida ou que seja contra a actividade. Como tudo na vida deve ser praticada para proporcionar prazer e não dor e desconforto.

A corrida é tão espectacular que serve de base para qualquer outra modalidade desportiva quando se deseja desenvolver resistência.

Como qualquer outra actividade, não é completa por si só mas deve ser praticada com bom senso.

Fonte: www.ativo.com

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